terça-feira, 23 de maio de 2023

A PEDRA DE MARTE (Penúltimo capítulo)

Alexandre Aragão de Albuquerque

 

Capítulo 06

 

Durante o jantar, Helena comentou com o papai e a mamãe a conversa da tarde com Zinguindum.

- Olha, ele além de construir uma espaçonave quântica, também toca violão, sanfona e flauta. E faz um trabalho muito importante numa instituição que acolhe crianças com câncer. Ele dedica algumas manhãs para estar com elas. Tem também outro amigo que vai com ele fazer mágicas e contar estórias.

O papai de Helena escutou com muita atenção o relato da filha. E depois interveio:

- Helena, posso revelar um segredo?

- Um segredo? Claro, eu adoro segredos!

- Quando eu era mais jovem, também vivenciei uma experiência parecida lá em Fortaleza. Com alguns amigos e amigas, nós íamos passar os sábados à tarde com crianças portadoras de câncer. Chamávamos de Sabadão.

- Verdade? Igual ao Zinguindum?

- Sim. Eram momentos muito fortes para mim porque procurávamos compartilhar um pouco do nosso tempo para conviver com aquelas crianças. Aquelas tardes sempre traziam um sentido a mais em minha caminhada de adolescente.

- Que legal, papai! Conta mais!

- Lembro que fiquei amigo de um garoto chamado Levi. Ele tinha 11 anos. Era época de Natal. Depois de um Sabadão muito divertido, eu senti o desejo de dar um presente só para ele, porque estava muito doentinho, muito pálido e fraco. Fui numa loja e comprei uma camisa bem bonita para ele. No sábado seguinte, cheguei mais cedo para poder presentear Levi com a camisa. Mas para surpresa minha, Helena, ele não estava mais lá, tinha partido da Terra e se transformado numa estrelinha. Eu chorei muito porque havia construído uma amizade de verdade com Levi. E hoje, toda vez que vejo estrelas no céu, fico imaginando qual estrela deve ser Levi.




- Sabe, papai, Zinguindum me ensinou uma canção bem bonita que ele canta para as crianças que ele acompanha. Quer escutar?

- Quero, Helena.

- É assim:

Quando terminou o meu dia

Fui fazer a minha oração

Senti uma grande alegria

Invadir o meu coração

Eu lavei os pratos

Engraxei sapatos

E varri a casa também

Escutei amigos

Visitei doentes

Reparti o meu pão com alguém

 

- Linda, Helena! É exatamente assim que eu me sentia quando estava naquelas tardes conversando com Levi. Quando a gente se coloca na disposição de repartir nosso pão, uma alegria muito especial invade o nosso coração.

- Hoje foi um dia muito legal, papai. Eu vou escrever para Lis dizendo tudo isso, do trabalho importante do Zinguindum e da sua experiência com Levi. E vou cantar para ela a nova canção que eu aprendi.

- Muito bem, Helena!

 

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