Alexandre Aragão de Albuquerque
Capítulo 06
Durante o jantar, Helena comentou com o papai e a mamãe a conversa da tarde com Zinguindum.
- Olha,
ele além de construir uma espaçonave quântica, também toca violão, sanfona e
flauta. E faz um trabalho muito importante numa instituição que acolhe crianças
com câncer. Ele dedica algumas manhãs para estar com elas. Tem também outro
amigo que vai com ele fazer mágicas e contar estórias.
O papai de Helena escutou com muita atenção o relato da filha. E depois interveio:
- Helena, posso revelar um segredo?
- Um segredo? Claro, eu adoro segredos!
- Quando eu era mais jovem, também vivenciei uma experiência parecida lá em Fortaleza. Com alguns amigos e amigas, nós íamos passar os sábados à tarde com crianças portadoras de câncer. Chamávamos de Sabadão.
- Verdade? Igual ao Zinguindum?
- Sim. Eram momentos muito fortes para mim porque procurávamos compartilhar um pouco do nosso tempo para conviver com aquelas crianças. Aquelas tardes sempre traziam um sentido a mais em minha caminhada de adolescente.
- Que legal, papai! Conta mais!
- Lembro que fiquei amigo de um garoto chamado Levi. Ele tinha 11 anos. Era época de Natal. Depois de um Sabadão muito divertido, eu senti o desejo de dar um presente só para ele, porque estava muito doentinho, muito pálido e fraco. Fui numa loja e comprei uma camisa bem bonita para ele. No sábado seguinte, cheguei mais cedo para poder presentear Levi com a camisa. Mas para surpresa minha, Helena, ele não estava mais lá, tinha partido da Terra e se transformado numa estrelinha. Eu chorei muito porque havia construído uma amizade de verdade com Levi. E hoje, toda vez que vejo estrelas no céu, fico imaginando qual estrela deve ser Levi.
- Sabe, papai, Zinguindum me ensinou uma canção bem bonita que ele canta para as crianças que ele acompanha. Quer escutar?
- Quero, Helena.
- É assim:
Quando terminou o meu dia
Fui fazer a minha oração
Senti uma grande alegria
Invadir o meu coração
Eu lavei os pratos
Engraxei sapatos
E varri a casa também
Escutei amigos
Visitei doentes
Reparti o meu pão com alguém
- Linda, Helena! É exatamente assim que eu me sentia quando estava naquelas tardes conversando com Levi. Quando a gente se coloca na disposição de repartir nosso pão, uma alegria muito especial invade o nosso coração.
- Hoje foi um dia muito legal, papai. Eu vou escrever para Lis dizendo tudo isso, do trabalho importante do Zinguindum e da sua experiência com Levi. E vou cantar para ela a nova canção que eu aprendi.
- Muito bem, Helena!

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